sábado, 25 de agosto de 2007

A Imprensa

Edson Luiz Sampel
Doutorando em Direito Canônico pela PUC de Buenos Aires, Argentina

Edson Luiz Sampel

Sem sombra de dúvida, a imprensa desempenha um papel crucial neste país. Quando as instituições, sobretudo o judiciário, são inoperantes, é a imprensa que desvenda casos escabrosos. Muita vez, os jornalistas elaboram verdadeiros inquéritos policiais; dando tudo de bandeja para o ministério público propor a ação judicial.


No âmbito institucional, podemos asseverar que a imprensa decerto representa um quarto poder: o poder do cidadão, principalmente do fragilizado, sem voz e nem vez, que assiste inerme ao desrespeito do seu direito. Ainda bem que temos uma boa imprensa no Brasil, pelo menos no que tange às investigações e denúncias de corrupção. Como se descobririam, por exemplo, as iniqüidades perpetradas por juízes, vez que compete a eles punir a conduta dos criminosos, senão pela atuação da imprensa independente?


Os celerados deste país (e são tantos) temem mais a imprensa do que qualquer outra entidade. E é bom que seja assim. Oxalá nossa imprensa continue impávida na sua vocação cívica de ajudar a debelar a corrupção que vilipendia o erário e destrói a sociedade.


A imprensa católica também possui uma missão fundamental. Incumbe-lhe a tarefa de anunciar a boa notícia do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Mais. A imprensa católica abordará os acontecimentos sob a ótica do evangelho. É neste ponto decisivo que a aludida imprensa diferencia-se das demais, porquanto ela é portadora de valores sublimes que quer inculcar na sociedade. A imprensa católica não pode ser imparcial; porquanto ela tem de fazer a leitura dos fatos à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres.


A imprensa católica será fiel à sua nobilíssima missão, na medida em que denunciar a injustiça e comunicar os imperativos do evangelho. Ela jamais poderá se vergar à pieguice, pois, a seu modo e destemida, ela tem de contribuir na implementação do reino de Deus.

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